Brasil registra 77,8 milhões de inadimplentes e dívida média chega a R$ 6,1 mil

Juros altos, desemprego e uso descontrolado do cartão de crédito agravam crise financeira que atinge famílias em todo o país


Por Rota Araguaia em 28/07/2025 às 09:39 hs

Brasil registra 77,8 milhões de inadimplentes e dívida média chega a R$ 6,1 mil
Reprodução

Redação

O Brasil enfrenta um cenário crescente de endividamento: segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, divulgado em junho, mais de 77,8 milhões de pessoas estão com o nome negativado. A dívida média por inadimplente é de R$ 6.128, e o cartão de crédito lidera como principal responsável pelos débitos, somando 27,5% do total.

O Distrito Federal apresenta o segundo maior índice do país, com 61% da população adulta inadimplente. Apesar dos mais de 64 mil acordos de renegociação recentes, a recuperação financeira continua distante para grande parte dos consumidores.

Para Giovani Inocente, porta-voz da Serasa, os juros elevados e a falta de reserva emergencial tornam o cartão de crédito um fator de risco para o orçamento familiar.

“Qualquer imprevisto desestabiliza as contas. O controle se perde e a dívida cresce rapidamente por causa dos juros”, afirma.

As principais causas da inadimplência incluem perda de renda, desemprego, falta de planejamento e consumo acima da capacidade financeira. Especialistas alertam que muitos brasileiros utilizam o crédito sem conhecer plenamente suas consequências, o que favorece o endividamento contínuo.

Programas como o Desenrola Brasil beneficiaram cerca de 15 milhões de pessoas, mas não reduziram o índice total de negativados. “Seguimos atuando de forma reativa. Só em junho, houve um aumento de 800 mil novos inadimplentes”, ressalta Inocente.

 

Para economistas, a saída exige educação financeira, controle de gastos, renegociação de dívidas e construção de uma reserva de emergência. “Cartão de crédito não é vilão por si só. Se usado com disciplina, pode ser um aliado. Mas, sem controle, transforma-se em um dos principais motores da inadimplência”, explica Jurandir Sell, especialista em finanças comportamentais da UFSC.



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